segunda-feira, 28 de maio de 2012
Propagandas equivocadas em tempos equivocados
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Besteiras ilimitadas e infinitas por apenas R$ 0,25
sábado, 5 de maio de 2012
Massification Society - Revisited
Não sei se vocês perceberam, mas estamos vivendo num mundo em que as pessoas fazem quase tudo sempre igual e ao mesmo tempo.Como miquinhos amestrados, estamos sendo, todos, orquestrados por poderosos grupos econômicos, empresas, meios de comunicações e detentores das mais modernas tecnologias.
Apesar de nos acharmos tão livres, leves e soltos, estamos, isto sim, sendo o tempo todo compelidos a agir desta ou daquela maneira, a usar esta ou aquela grife, a comprar este ou aquele carro, a assistir este ou aquele filme, a ouvir esta ou aquela música...
Os comportamentos têm cada vez mais sido ditados pela televisão e pela internet. As poderosas redes televisivas dão a pauta de como a sociedade vai se comportar naquele período.
Pensem um pouco sobre o cronograma de vida e atividades que nos impõem durante o ano:
Em janeiro, ao mesmo tempo que falam em férias escolares, dando sugestões de onde ocupar os pimpolhos, falam também sobre IPVA, IPTU e material escolar. Sempre a mesma lenga-lenga.
Depois vem o Carnaval, e só se fala nesse assunto, diuturnamente. Mostram inúmeros carros descendo para o litoral, porque ficou estabelecido, sabe Deus por quem, que Carnaval é para ser curtido na praia. Desfiles, fofocas sobre as rainhas de bateria e suas infantilidades. Quantos mililitros de silicone as musas colocaram. Quanto malharam. Com quem estão namorando. Haja saco. A música então, só samba-enredo de manhã até a noite. Um porrilhão de surdos e cuícas massacrando diretamente os nossos pobres tímpanos.
Após o Carnaval, o assunto passa a ser o início das aulas e o aumento do trânsito já caótico, devido às mamães que insistem em parar em fila dupla na frente dos colégios dos rebentos.
Fala-se também dos trotes aplicados aos calouros nas faculdades e das eventuais atrocidades que essa prática costuma trazer todos os anos.
Abril, mês da Semana Santa. E a mídia já começa a insuflar a população para as viagens ao interior. Assim como o Carnaval tem que ser curtido na praia, a Semana Santa deve ser aproveitada no interior. É outra regra que assola o nosso inconsciente coletivo.
Por que o cara não pode curtir o Carnaval no campo ou na montanha e a Semana Santa na praia? Onde está escrito que essa norma não pode ser subvertida? Eu, particularmente, todas as vezes em que inverti os roteiros pré-programados pela massificação onipresente, me dei extremamente bem, ficando em lugares tranquilos e menos badalados.
E assim passa o ano: Dias das mães, férias de julho, dias dos pais, dias das crianças... e, finalmente, o auge da mesmice e do comportamento clônico: Natal e Ano Novo. Aí é que o caldo entorna de vez. Graças a Deus, passamos por esse período recentemente e vai demorar um pouco para chegar novamente.
Aí sim, a micaiada amestrada se lambuza de tanto fazer a mesma coisa junta e igual, exatamente ao mesmo tempo.
Todo mundo se fodendo junto nos centros de compras, sejam shoppings chiquérrimos e metidos à besta, ou os centros populares de varejo, como a 25 de Março em São Paulo, ou o Sahara no Rio de Janeiro.
A desinteligência coletiva é tanta, que todo o ano, passado o Natal, as lojas ficam às moscas, com liquidações de até 70% de desconto. Mas isso, só alguns poucos pensantes e autênticos conseguem vislumbrar e aproveitar. Para eles, tiro o meu chapéu.
E também, e principalmente, nesse período, a ditadura comportamental assola a todos.
O Natal DEVE ser passado em família, em volta do peru e próximo à árvore de Natal.
O Ano Novo DEVE ser passado na praia, de branco, pulando sete ondinhas e comendo romã. Claro que depois de suportar as 10 horas de tráfego pesado e engarrafamento, para só então poder pisar na areia suja e contaminada.
Não sou contra a alegria, contra as viagens e muito menos contra as deliciosas reuniões familiares. Não sou contra dar presentes a quem amamos ou admiramos. Muito pelo contrário.
Sou contra, isso sim, o fato de sermos impingidos a fazer isso sempre que o patrão mandar.
Não sou contra a música. Por sinal, adoro música. Mas precisa ser a música que eu escolhi para curtir. Não aquela que toca à exaustão nas rádios e na TV.
Curto tudo que há de bom na vida, mas deve ser tudo aquilo que represente algo de bom para mim, para minha família e para a sociedade em geral. Não o que nos empurram goela abaixo durante o ano todo.
Acho que só a educação séria e comprometida das nossas crianças pode fazer com que, no futuro, passemos a ter mais cidadãos pensantes, atuantes e questionadores. Que não engulam, sem avaliar ou cogitar, todo o lixo e todas as regras de comportamento que nos são delicada e discretamente impostas.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Mentes Compartimentadas e Fechadas
domingo, 22 de abril de 2012
Considerações de um diletante sobre o "Jornalismo Lado B"
Além disso, entendo que precisamos resgatar o sentido de coletividade e bem-estar geral em nossas vidas. De nada adiantará termos uma vida profissional extremamente bem sucedida se ela, em última análise, não puder oferecer uma contribuição concreta, útil e desinteressada à vida das pessoas que nos rodeiam.
Entendo que todos nós, jornalistas ou não, que nos propomos a interagir de alguma forma com o mundo, precisamos manter nessa relação o maior grau de honestidade e verdade possível, mesmo que a nossa verdade possa não condizer exatamente com os modismos e imposições midiáticas e propagandísticas do momento. Um posicionamento sincero e honesto, mesmo que não seja entendido imediatamente, será entendido por todos com o passar do tempo. Às vezes, o que é correto, justo e valoroso fica sucumbido pelos ditames da moda, pelas imposições do capital ou pela manifestação da vontade daqueles que detém o poder, seja político ou econômico. Porém, demorando ou não, a verdade sempre prevalecerá.
Por isso, volto ao ponto inicial, quem mantém a coerência interior e a firmeza de propósitos em todos os aspectos da sua vida, dificilmente cairá em contradições, sejam pessoais ou profissionais. Por outro lado, quem se deixa levar pelas tendências de mercado, pelos atalhos fáceis e pelas imposições alheias, corre o sério risco ser tido como incoerente e suscetível às influências daninhas e oportunistas.
É claro que, com todas as novas tecnologias à disposição, alguns aspectos profissionais vão se alterando e evoluindo com o tempo, mas, como já foi dito algumas vezes nas palestras deste curso, o conteúdo e as ideias sempre continuarão sendo a base de todo o bom trabalho que qualquer profissional venha a criar ou executar. Acho, por fim, que para todos nós, o que deve nos mover para realizar trabalhos dignos e úteis à sociedade seja o legítimo interesse de que toda ela evolua conjunta e continuamente, aumentando a inclusão em todos os setores e diminuindo as diferenças e injustiças sociais que ainda campeiam por esse imenso Brasil.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Epitáfios grotescos
Aqui jaz Grotesco, aquele que, em vida...
"Sempre se achou, por razões inexplicadas, superior às outras pessoas e merecedor de especial deferência e consideração de todos à sua volta."
"Sempre se portou em vida segundo a velha máxima: Farinha pouca, o meu pirão primeiro!"
"Achava que tudo girava à sua volta, bem como da sua família, pouco se lixando para se o resto do mundo se explodia."
"Jamais respeitou o lado humano das pessoas, pautando todas as relações apenas pelas aparências e pela cosmética."
"Nunca em vida valorizou o ser em detrimento do ter."
"Jamais pautou-se pela honestidade, ombridade e lealdade, pois considerava esses valores como fora de moda e antiquados."
"Sempre fez na vida pública uma interminável extensão do que fazia na privada."
"Jamais se preocupou com questões ambientais, querendo sempre, isso sim, auferir todos os lucros possíveis sobre as terras, águas e riquezas naturais que considerava como suas."
"Nunca se pautou pela preocupação com os mais humildes e desvalidos, tomando todas as atitudes sempre orientado pelos seus instintos corporativistas e de classe."
"Por achar-se dono do capital, sempre exigiu ser aquele que mais lucraria em qualquer transação ou situação nas quais investisse o seu famigerado dinheiro."
"Por seu poderio econômico, sempre fez uso da sua arrogância, explorando as pessoas e os subalternos em todas as situações nas quais havia essa possibilidade."
"Sempre distorceu os fatos e a história com o intuito de manter-se no poder a qualquer custo, valendo-se da ignorância dos mais fracos e humildes."
"Sempre levou uma vida de indiferença em relação às questões sociais, passando a manifestar-se ferozmente e a declarar-se cansado apenas quando a violência chegou à sua porta ou aos seus entes queridos."
"Passava por cima dos desafetos e oponentes de maneira covarde e violenta, fazendo valer estupidamente, e à força, toda a sua vontade."
segunda-feira, 19 de março de 2012
Faça você mesmo e faça agora
Como cidadãos, sabemos que os governos vem e vão, de forma cíclica, uns substituindo os outros. Períodos mais democráticos e de esquerda. Períodos mais autoritários e de direita. E por aí vai. É claro que todos nós temos as nossas preferências e tendências políticas. Que em algumas eleições nos sentimos vitoriosos e em outras, frustrados. Mas o que eu gostaria de dizer é que, melhor ou pior, nenhum governo ou instância da administração pública conseguirá ser perfeito, muito menos agradar a todos os eleitores. Sempre haverá pontos controversos em qualquer administração. Sempre haverá algum nível de tráfico de influência e de apadrinhamento de amigos e simpatizantes. Sem contar a nefasta obrigação, cada vez mais em voga na política, de ter que lotear os governos, dando a cada partido de apoio da base aliada o seu, em muitas vezes, nem tão merecido quinhão. Ou seja, a política do "é dando que se recebe" sempre paira os governos em maior ou menor grau. Por isso, cada vez mais chego à conclusão de que, em muitas situações, devemos fazer nós mesmos as mudanças e as intervenções necessárias para melhoria da nossa sofrida sociedade brasileira. Além disso, e até mais importante, cabe a nós fiscalizar e cuidar para que as políticas públicas caminhem da forma que precisam caminhar, ou seja, sempre em prol e totalmente em nome do povo, visando o seu bem-estar e os avanços sociais, principalmente nos setores críticos como saúde, educação, habitação, transporte e inclusão social. É muito importante que não sejamos omissos quando presenciamos aberrações e descasos sociais à nossa volta. Se há como denunciar absurdos e malfeitos, denunciemos. Se há como chamar a autoridade responsável na "chincha", chamemos. O que não podemos é ficar parados, e compactuar silenciosa e bovinamente, diante do descaso e da omissão de governantes e agentes do governo, sejam de que esfera forem. Além disso, precisamos com urgência ser mais cidadãos. Não podemos exigir do governo aquilo que não praticamos em nosso cotidiano. Se vivemos lançando mão do jeitinho brasileiro (e levando vantagem em tudo, certo?) a torto e a direito em nosso dia-a-dia, como podemos criticar os políticos e homens públicos que nós mesmos elegemos? Se desrespeitamos as vagas de estacionamento para idosos e deficientes na maior desfaçatez. Se avançamos sobre a faixa de pedestres e calçadas com os nossos possantes sem o menor cuidado ou respeito ao próximo. Se sempre que podemos, burlamos a ordem, e passamos na frente, de uma fila indiana para qualquer tipo de atendimento. Se tentamos levar qualquer fiscal na lábia, achando-nos super espertos por auferir qualquer tipo de vantagem à qual não teríamos direito dentro das normas estabelecidas. Em qualquer desses casos, e em muitos outros similares, com os quais nos defrontamos durante os nossos dias, se agimos na esperteza, então não temos direito de cobrar nada de quem está no poder. Se agimos assim, descompromissadamente, indiferentemente, alheios a todas as regras de convívio e respeito ao próximo, então não merecemos nada de bom. Precisamos, urgentemente, nos corrigir e tentar arrumar tudo o de errado e torto que acontece à nossa volta, a começar da nossa casa. Nós somos, no fundo de tudo, essencialmente aquilo que fazemos quando ninguém está nos vendo. É nesses momentos que o nosso verdadeiro caráter se manifesta em sua plenitude. E é aí que precisamos ser verdadeiros e decentes, inclusive conosco mesmos. Nós, os ditos cidadãos de bem, precisamos realmente fazer valer essa condição. Trabalhar na prática, sempre que possível, para minimizar desigualdades e injustiças. Atuar sempre que percebermos que podemos fazê-lo. Evitar a cômoda omissão dos alienados e conformados. Sempre que puder fazer algo de bom ou útil, faça-o, independente de recompensas e de atendimento unicamente aos interesses próprios.
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Um cidadão X vivendo neste Mundo Y
Os tempos seguem cada vez mais céleres, mais automatizados, mais conectados e cada vez menos presenciais, menos afetivos e menos humanos.
Hoje, para tudo há padrão. Padrão de roupa, padrão de cabelo, padrão estético, padrão de automóveis, etc. O mercado, a propaganda e as poderosas empresas envidam um esforço orquestrado e programado para padronizar uma série de bens, comportamentos e aspectos visuais da aparência, alçando-os, para o incauto público, à condição de coisas mais importantes da vida moderna.
Alia-se a agilidade da informação “sem fricção” com as ações maciças e coordenadas de marketing, tentando transformar o Mundo em uma coisa só. Seja em que local do Globo for, as pessoas acabam tendo os mesmos sonhos de consumo e as mesmas tendências de comportamento.
Não está sobrando tempo ou espaço para a autenticidade regional. Todos estão caminhando, quase sem pensar, para as mesmas práticas e os mesmos padrões comportamentais. Aliás, parece que está ficando cada vez mais deselegante questionar, ou ter opinião diferente sobre qualquer coisa na sociedade moderna globalizada. Há padrões veladamente impostos como certos, que precisam ser seguidos, sob pena, para os eventuais rebeldes, de ficar de fora daquilo que se convencionou entender na sociedade como padrão aceitável de postura, seja física, seja psíquica. São esses padrões comportamentais empresariais impostos goela abaixo dos funcionários, que dão origem às muitas aberrações no relacionamento empresa/cliente, como, por exemplo, o abusivo e onipresente uso do gerundismo pelos robotizados e mal preparados atendentes de Call Center das grandes e modernas empresas. Às vezes, temos a impressão de que os funcionários modernos, por ordem das suas chefias, precisam apenas estar nos seus postos de trabalho uniformizados e bem alinhados, sem a necessidade de realmente prestar um serviço de qualidade aos seus clientes. Basta apenas parecer bonitinho e eficiente, não importando que na realidade seja ordinário e ineficaz. Em muitos casos substitui-se completamente - a meu ver, não sem muitos prejuízos - a eficiência e a capacidade profissional de uma pessoa pela aparência padronizada e asséptica de outro funcionário.
As novas tecnologias podem trazer realmente muitas coisas boas a todos nós. Porém, todas as facilidades tecnológicas de nada adiantarão se, paralelamente a elas, não houver um investimento maior no crescimento das pessoas como seres humanos e cidadãos. Por maior que seja a evolução, entendo que jamais poderemos prescindir de um toque de humanidade em nossas relações, sejam elas de que natureza forem. Nada substitui um cumprimento cordial, um sorriso, uma postura de real interesse naquilo que a outra pessoa (cliente/cidadão/contribuinte) esteja querendo, precisando ou perguntando.
Essa desumanização da vida real cotidiana vem crescendo a olhos vistos. Principalmente nos grandes centros urbanos, não há mais espaço para práticas corteses e interação interpessoal. As pessoas andam pelas ruas e lugares públicos como autômatos, sem qualquer atenção ou respeito para com todos aqueles que circunstancialmente estejam por perto. Parece que tacitamente se convencionou que, atualmente, para haver interação entre humanos, ela precisa necessariamente acontecer de maneira virtual, por vias eletrônicas. Parece que não é mais cabível, em áreas e espaços públicos, haver entrosamento espontâneo e físico, olho no olho, tête-à-tête, com palavras cordiais entre duas ou mais pessoas. As pessoas estão “conectadas e ocupadas” demais para perder tempo com os cidadãos que perambulam ao seu lado. Sem contar que a vida anda muito perigosa, e é melhor não falar pessoalmente com estranhos, só pela Internet.
Observo pelas ruas, que está sendo cada vez mais comum as pessoas se esbarrarem ou trombarem, sem que haja qualquer pedido de desculpa ou iniciativa elegante de qualquer uma delas. Simplesmente se chocam ou quase se chocam, sem que uma olhe diretamente para outra ou lhe dirija a palavra.
Talvez eu esteja errado, e tudo aquilo que escrevi acima sejam apenas lamentações de um homem datado como pertencente à geração X, que viveu ¾ da sua vida no século XX, e que não consegue se adaptar às novas tendências e maneiras de viver deste século XXI, completamente dominado e gerido pela geração Y e subsequentes. Talvez eu esteja errado ou nostálgico demais. Sonhando em viver numa sociedade mais humana e solidária em tempos tão frios e de relações tão estranhas e distantes. Talvez não haja mais tempo e espaço para se ter respeito e preocupação com o próximo, e sim apenas para com o nosso próprio umbigo e com os nossos bens materiais de última geração. Os parâmetros de felicidade parecem ter mudado muito neste Mundo. Fui eu quem não mudou e ficou para trás, atropelado por essa forma de modernidade que nunca desejei.
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Simphrônio vai ao inferno

sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Message in a virtual bottle
Às vezes me perguntam para que serve um blog. Sinceramente, cada vez mais tenho dificuldades em responder a essa questão. São milhões de blogs vagando pelo cyber-espaço, e outros milhares sendo criados todos os dias. Algumas das minhas respostas recorrentes normalmente abordam a possibilidade de publicar nossos textos e ideias, ou a facilidade de armazenamento das nossas experiências de vida, entre outras tantas evasivas.Contudo, é mesmo de se perguntar: Pra que serve um blog?
A única coisa mais palpável que me vem à mente é o fato de que daqui a cem, duzentos anos, nossos escritos poderão ser eventualmente estudados pelos arqueólogos e antropólogos do futuro. Se tem uma coisa da qual nossos descendentes não poderão reclamar será da falta de informações sobre como era absurda e cheia de inconformidades a vida humana no Planeta Terra no início do terceiro milênio.
Os blogs serão fósseis digitais ao alcance de quem tenha paciência para dissecá-los e tentar decifrá-los.
Do modo com a tecnologia evolui vertiginosamente, talvez bem antes, ainda na próxima década, os blogs já sejam tidos como dinossauros digitais.
O fato concreto é que, talvez como uma garrafa com o pedido de socorro lançada ao info-mar, a utilidade do blog esteja nas observações, críticas e discussões que fazemos hoje, sobre acontecimentos e comportamentos desta era, os quais poderão ser estudados e quiçá melhor entendidos pelos nossos irmãos do futuro. Quem sabe se, até lá, a humanidade já não terá atingido um determinado grau de consciência e esclarecimento que permita aos homens que virão se espantar com coisas e pensamentos produzidos nestes tempos.
Acho que essa talvez seja a única resposta factível para a manutenção de um blog nos dias atuais. O envio de mensagens póstumas aos nossos irmãos do futuro.
Fora isso, para pouco serve um blog pouco ou nada lido, com o acompanhamento apenas de uma meia dúzia de amigos sinceros e de todas as horas.
Para mim, blogs que, por mais que tentem, não conseguem produzir discussões, que não atingem um determinado número mínimo de leitores, que provocam pouquíssima ressonância, como é o caso deste, estão fadados a serem diários eletrônicos, passíveis de serem compilados para futuras biografias feitas pela família, no máximo.
Depois de toda essa reflexão, tenho a resposta, um blog é uma mensagem na garrafa, uma cápsula do tempo, que poderá ser descoberta e aberta daqui a séculos ou milênios.
Não deixa de ser uma ferramenta moderna, voltada para o futuro, sob certo ponto de vista.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
A cidade dos carros

quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Robozinho valente volta ao inferno de Dante
Todos os dias, o robozinho - guiado pelo seu quixotesco e estoico guardião, o cavaleiro navegante Dan Robson - é acompanhado pela equipe de reportagem da Globo.
Durante as transmissões, são recorrentes as esperadas e padronizadas caras e bocas de espanto dos apresentadores dos telejornais. Como se a situação horripilante do Rio Tietê pudesse ser novidade, mesmo para o mais desligado paulistano.
A única conclusão possível, diante dessa segunda e tresloucada jornada, é que a situação é igual, se não pior do que em 2009, e que nada foi efetivamente feito, por nenhuma instância, para reverter o quadro dantesco do Rio Tietê.

Foi iniciada nesta terça-feira, 01/09/09, com pompa, circunstância, transmissões e relatos ao vivo, uma jornada no mínimo insólita. A Globo está patrocinando a viagem de um flutuador, que mais parece um robozinho ou um satélite, o qual terá a ingrata missão de percorrer 500 Km do Rio Tietê, coletando informações, dados e imagens sobre a vida (?) e a quantidade de oxigênio de suas águas imundas, espessas e pardacentas.
São públicos e notórios os altíssimos níveis de poluição do Rio Tietê, pelo menos na parte que corta a grande São Paulo, causados principalmente pelos esgotos e dejetos industriais lançados sem o menor cuidado nas suas águas.
Parafraseando jornadas famosas, concluímos que essa tresloucada expedição será uma autêntica viagem ao fundo da merda.
Nos primeiros dias, o robozinho irá navegar por águas mais limpas, próximas da nascente do Tietê. O bicho vai pegar na medida em que ele for se aproximando da capital. Nem sei se alguns trechos ainda são navegáveis, dada a densidade de suas águas marrons. Talvez o aparato venha a encalhar em alguns pontos das águas embosteadas do rio.
O que me espanta é o ar de desbravadores do rio que os apresentadores dos telejornais da emissora têm adotado. O entusiasmo e a alegria com que noticiam os avanços do projeto, que, ao menos em tese terá duração de um mês. Isso, se o sofisticado equipamento não vier a se desintegrar nas ácidas águas em que irá navegar.
Outro ponto em que os globais dão muita ênfase é o envio de imagens a serem coletadas durante a empreitada. Não consigo deixar de imaginar as belas imagens a serem fotografadas, e transmitidas em tempo real, no período crítico, quando o flutuador estiver navegando quilômetros e quilômetros literalmente na merda.
Quanto à vida nesse trecho do rio, só vejo a possibilidade de encontrarem uma única espécie, cuja resistência é descomunal, são os famosos peixes de origem nipônica, os toroços. Esses deverão ser muito fotografados pelo heroico robozinho.
É importante lembrar, que a engenhoca será sempre pajeada por um atleta do remo, a quem eu sinceramente desejo toda a sorte do mundo, tendo em vista os caminhos pútridos nos quais irá se aventurar.
No final das contas, ao fim da penosa viagem, teremos um amplo painel dos níveis de merda existentes no Rio Tietê. Nunca nenhuma iniciativa foi tão desbravadora e corajosa. Durante anos a fio esperamos uma medida como essa, que pudesse comprovar cientificamente aquilo que os olhos e narizes dos paulistanos já conhecem de longe.
